Terceira sessão interativa destaca os desafios para as políticas públicas

04/09/15 - O impacto das desigualdades no desenvolvimento dos países e como as políticas públicas podem melhorar as taxas de crescimento econômico. Estes foram os temas abordados, nesta sexta-feira (4), na terceira sessão interativa – Desafios para as Políticas Públicas – que integra a programação do Seminário Internacional Papel do Estado no Século XXI: desafios para a gestão pública.

Na ocasião, a professora da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Celia Lessa Kerstenetzky, afirmou que a desigualdade é um problema global. “As desigualdades intensas e duradoras devem ser consideradas traços de subdesenvolvimento. Nesses sentido, as políticas desenvolvimentistas devem se comprometer em combater esse problema”, complementou.

Celia Kerstenetzky analisou a situação do Brasil. “O país, que é a 7ª economia do mundo, é o 79º em Índice de Desenvolvimento Humano. Quando esse índice é ajustado pela desigualdade, o Brasil despenca para a posição de número 95. Estamos entre os países mais desiguais do mundo”, disse. Depois de 2001, o país passou por uma queda sustentada da desigualdade, em decorrência de fatores como os programas de transferência de renda e das políticas governamentais na área do trabalho. “A partir do início do século XXI até o ano 2012, o Brasil viveu o período denominado ‘década de ouro’ ao combinar crescimento econômico, democracia e equidade”, afirmou.

O Brasil tem o que a professora define como “crescimento redistributivo incompleto”, que foi puxado pelo consumo das famílias e estimulado pelo aumento do rendimento domiciliar, com o acesso da população ao crédito e incitado pelo mercado de trabalho e das transferências governamentais”. Para Celia, o país ainda precisa avançar em pontos como expansão dos serviços sociais públicos e fazer alterações na forma de tributação.

Além de ações focadas na distribuição de renda, o Brasil tem o desafio de melhorar sua competitividade. Segundo o diretor do Columbia Global Center na América Latina, Thomas Trebat, esse “é o fator chave na criação de empregos, oportunidades e prosperidade, ou seja, para o crescimento econômico do país”. Ele destacou que a economia brasileira ocupa o 57º lugar no ranking mundial de competitividade, entre os 144 países pesquisados.

Trebat explicou que a competitividade é influenciada pelos fatores macroeconômicos, como taxa de juros e inflação; fatores institucionais – que tratam do tamanho dos mercados, da infraestrutura da economia e da credibilidade do governo – e fatores microeconômicos, que determinam a qualidade do ambiente de negócio e que afetam as estratégias das operações das empresas públicas e privadas.

Ele enfatizou que o principal desafio brasileiro é aprimorar a qualidade do ambiente de negócios. “Os dados continuam a sugerir que pequenos esforços para melhor o ambiente de negócio trazem benefícios. Essa alta pode ser conquistada em nível estadual e municipal. Além disso, essas mudanças exigem mais foco e diálogo do que necessariamente a aplicação de recursos”. Por outro lado, citou os aspectos positivos do Brasil, como a capacidade de absorver a inovação, a qualidade dos centros de pesquisas e a sofisticação das empresas.

Clique aqui para acessar a apresentação da professora da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Celia Lessa Kerstenetzky (Português).

Clique aqui para acessar a apresentação do diretor do Columbia Global Center na América Latina, Thomas Trebat (Português).

Clique aqui para acessar a apresentação do diretor do Columbia Global Center na América Latina, Thomas Trebat (Inglês).


Confira as fotos da sessão interativa (favor utilizar Mozilla Firefox ou Google Chrome):